No mês dedicado à conscientização do autismo e durante o Ano Intercultural entre Brasil e China, a capital francesa recebe um encontro entre arte, inclusão e preservação ambiental. A cantora, compositora e instrumentista maranhense Anna Torres, radicada na França há 26 anos, lançou em 3 de abril, no Centro Cultural da China em Paris, a versão em mandarim do livro/CD “A Cigarra Autista”.
O projeto nasceu de uma vivência profunda e pessoal. Anna é mãe de Marianna, de 16 anos, uma jovem com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora Marianna ainda não fale, ela se expressa poderosamente através da música, cantando em três idiomas e tendo composto três canções que integram o espetáculo. O que começou como uma forma de terapia familiar transformou-se em uma obra de alcance global, preenchendo uma lacuna de opções de lazer pensadas para o público autista.
O amor rompe barreiras
“Quero sensibilizar os administradores públicos a criarem leis de inserção para termos melhoras nos setores da saúde, educação e lazer. Enfim, todos temos que evoluir na compreensão desse universo ainda enigmático que é o autismo,” declarou Anna Torres.
A mensagem de amor e tolerância já atravessou fronteiras. O projeto foi produzido em seis idiomas: português, francês, inglês, espanhol, mandarim e, em breve, italiano. A canção “Consciência”, um dos pilares do trabalho, foi gravada em sete línguas, incluindo alemão e chinês. A iniciativa busca ampliar o debate sobre o autismo e incentivar famílias a superarem desafios.
Clipe “Consciência (意識)” em Mandarim (reprodução: YouTube/ Anna Torres)
Entrevista exclusiva
A redação da Jovem Pan São Luís entrou em contato com a artista que atualmente mora na França para um bate-papo sobre a carreira e a maternidade. Confira a entrevista:
Influência da trajetória internacional
João Pinheiro: Como sua trajetória internacional, vivendo há mais de duas décadas na França, influenciou a criação do musical inclusivo “A Cigarra Autista”?
Anna Torres: O diaguinostico do autismo da minha filha Marianna, me inspirou a criar o projeto da Cigarra Autista, foi realmente um grito de socorro. No inicio me senti extremamente sozinha, uma luta solitaria. Mas o fato de viver na França há mais de duas décadas me deu uma visão profundamente intercultural da arte e da comunicação. Isso influenciou diretamente a criação de A Cigarra Autista, em varios idiomas, porque percebi que a mensagem sobre o autismo precisava ultrapassar fronteiras, idiomas e culturas. A França, com sua forte tradição artística, também me ajudou a estruturar o projeto com um olhar mais universal e cinematográfico.
Alcance global e debate sobre o autismo
João Pinheiro: O projeto já foi produzido em vários idiomas e lançado até em mandarim. Qual a importância desse alcance global para ampliar o debate sobre o autismo?
Anna Torres: O fato de o projeto já ter sido produzido em vários idiomas, incluindo o mandarim, é essencial porque o autismo não é uma realidade local, é global. Quanto mais línguas alcançamos, mais conseguimos quebrar barreiras de preconceito e ampliar a empatia. O objetivo é justamente criar uma ponte emocional entre culturas diferentes através da arte. E com isso melhorarmos o acompanhamento das pessoas com espectro autista. Precisamos de melhores politicas publicas pros nossos autistas.
Reconhecimento internacional e impacto da mensagem
João Pinheiro: Sua carreira inclui participações em eventos internacionais e indicações a prêmios. De que forma esse reconhecimento ajuda a fortalecer a mensagem de inclusão presente no musical?
Anna Torres: As participações em eventos internacionais, na UNESCO de Paris, na ONU na Suiça, no GRAMMY e indicações a prêmios como OS MELHORES DO BRASIL NO MUNDO que ganhei no Parlamento Britanico na Inglaterra, e em setembro participarei do BEST OS BRAZIL GLOBAL AWARDS em Nova York na Estatua da Liberdade ajudam a dar credibilidade ao projeto e ampliam sua visibilidade. Isso fortalece a mensagem de inclusão porque mostra que não se trata apenas de uma obra artística, mas de um projeto reconhecido e validado no cenário cultural internacional.
Experiência pessoal com sua filha Marianna
João Pinheiro: Como a experiência pessoal com sua filha Marianna impactou o desenvolvimento artístico e o foco inclusivo da obra?
Anna Torres:A minha filha Marianna é o coração deste projeto. Toda a criação nasce da vivência real, dos desafios e também da beleza de acompanhar o mundo através do olhar dela. A Marianna tem 16 anos, canta em 3 idiomas, compoe mas nao fala. O que surgiu como uma auto-terapia transformou o projeto da Cigarra, LIVRO/CD e musical em algo muito mais profundo do que arte: virou uma missão de vida, com foco na inclusão, na sensibilidade e na valorização das diferenças.
Próximos passos do projeto
João Pinheiro: Quais são os próximos passos para expandir o musical “A Cigarra Autista” e consolidar ainda mais sua presença no cenário internacional?
Anna Torres: Recentemente lançei o Projeto no Centro Cultural da China de Paris, e foi lindo. Os próximos passos são expandir ainda mais a circulação internacional do Projeto. Estou produzindo o desenho animado da Cigarra em 7 idiomas, e sera realizado pela XCAVES, que fez o desenho animado O Sshow da Luna e o Seninha (desenho animado do Ayrton Sena) e participaremos de festivais de animaçao. Ampliaremos parcerias institucionais e levaremos o projeto para novas plataformas audiovisuais e educacionais. O objetivo é consolidar A Cigarra Autista como uma obra de referência mundial sobre inclusão e consciência do autismo.
Reconhecimento internacional
Natural de Lago da Pedra, no Maranhão, Anna Torres consolidou uma carreira de prestígio na Europa, sendo aclamada por veículos como Le Monde e Le Parisien. Sua musicalidade funde o jazz, o samba e o funk com as raízes do Nordeste brasileiro, destacando-se pela voz profunda e pelo domínio do violão e do berimbau.
Teaser clipe “Conciência” multilíngues (reprodução: YouTube/ Anna Torres)
O reconhecimento de sua atuação social e artística é evidente em sua trajetória recente:
- Participou da cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Paris (UNESCO, 2024).
- Foi indicada ao Grammy Awards 2025 na categoria “Harry Belafonte – Melhor Música para Mudança Social”.
- Atualmente, concorre ao Best of Brazil Global Awards como Melhor Cantora Brasileira no Mundo, com premiação prevista para 12 de Setembro de 2026 na Estátua da Liberdade, em Nova York.
Além dos palcos, Anna é uma voz versátil na indústria do entretenimento, tendo realizado dublagens para a Warner, gravado com o DJ David Guetta e sendo a voz oficial das publicidades da Deezer no Brasil. Com o lançamento de “A Cigarra Autista” em mandarim, a artista reafirma seu papel como embaixadora cultural, unindo continentes em prol de uma sociedade mais empática e inclusiva.
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