As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública no Maranhão. Dados confirmados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) mostram que, entre 2000 e 2024, o estado registrou 14.103 casos da doença e 1.228 mortes. No mesmo período, o Brasil contabilizou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais, segundo levantamento do Ministério da Saúde.

Os números reforçam o alerta para uma doença que, em muitos casos, pode permanecer silenciosa durante anos. De acordo com a infectologista Cláudia Vidal, consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), esse é justamente um dos principais desafios no combate às hepatites virais.
“Enquanto a pessoa leva uma vida aparentemente normal, o vírus pode estar comprometendo silenciosamente o fígado e evoluir para cirrose, câncer hepático e, nos casos mais graves, exigir um transplante. O diagnóstico costuma acontecer apenas quando a doença já está em estágio avançado”, explica a especialista.
Saiba mais detalhes na entrevista da Dr. Cláudia Vidal, ao Pan News
Hepatites B e C são as que mais preocupam
Segundo a médica, embora existam diferentes tipos de hepatites virais, as infecções pelos vírus B e C exigem maior atenção por apresentarem potencial de se tornarem crônicas.
Enquanto a hepatite A costuma estar relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados, principalmente em locais com deficiência de saneamento básico, as hepatites B e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho durante a gestação ou o parto. Já a hepatite C é transmitida, principalmente, pelo contato com sangue infectado, como no compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e materiais não esterilizados utilizados em tatuagens e piercings.
Maranhão registra mais de 2,8 mil casos desde 2022
Dados atualizados da Secretaria de Estado da Saúde apontam que, entre 2022 e 1º de julho de 2026, foram registrados 2.834 casos de hepatites virais no Maranhão.
Em 2025, foram contabilizados 626 casos. Já em 2026, até o início de julho, foram notificadas 172 ocorrências. A SES ressalta que esses números são preliminares e podem ser atualizados conforme o avanço das investigações epidemiológicas.
Atualmente, as hepatites B e C são os tipos de maior incidência no estado. São Luís lidera o número de notificações, seguida por municípios como Imperatriz, São José de Ribamar, Barra do Corda, Paço do Lumiar, Codó, Grajaú e Açailândia.
Teste rápido pode evitar complicações graves
Para ampliar o diagnóstico precoce, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, o Maranhão recebeu 236.850 testes para hepatite C, que estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Cláudia Vidal destaca que ampliar o acesso ao exame é essencial para reduzir os casos mais graves.
“Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis. O teste está disponível gratuitamente no SUS. Caso a pessoa apresente sintomas como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura ou fezes claras, deve procurar atendimento médico. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura”, afirma a infectologista.
Estado oferece tratamento gratuito
A Secretaria de Estado da Saúde informou que a assistência aos pacientes é realizada por meio dos Serviços de Assistência Especializada (SAEs), presentes em todas as regiões do Maranhão. A rede pública disponibiliza diagnóstico, acompanhamento médico, tratamento e medicamentos de forma regular nas unidades habilitadas.
Além disso, a SES mantém ações permanentes de prevenção e controle da doença, como a oferta de testes rápidos para hepatites B e C, fortalecimento dos serviços especializados, prevenção da transmissão vertical da hepatite B e apoio técnico aos municípios para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Informação e prevenção salvam vidas
Para a infectologista Cláudia Vidal, grande parte dos casos pode ser evitada com medidas simples.
“A vacinação, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento são estratégias fundamentais para reduzir novos casos. A informação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção”, ressalta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C. O organismo internacional alerta que o ritmo atual de diagnóstico e tratamento ainda é insuficiente para eliminar essas doenças como problema de saúde pública até 2030.
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