Suposto desvio de verbas no Grupo Rei de França teria beneficiado mineradora durante crise no transporte

Suposto desvio de verbas no Grupo Rei de França teria beneficiado mineradora durante crise no transporte

O Grupo Expresso Rei de França, operador do transporte coletivo em São Luís, é alvo de denúncias por supostos dribles a bloqueios judiciais. A empresa também teria transferido verbas milionárias do poder público para uma mineradora. Enquanto a empresa enfrenta uma grave crise financeira, deixando funcionários e motoristas sem salários, FGTS e auxílio-alimentação. Os recursos estariam sendo utilizados para custear despesas pessoais do empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como “PP”.

Extratos bancários de duas empresas do grupo revelam o repasse de R$ 1,6 milhão à Goldcoltan, mineradora de Pedro Paulo, em apenas três meses no fim do ano passado. A movimentação total sob suspeita chega a R$ 6,7 milhões.

Blindagem patrimonial e recuperação judicial

Documentos indicam que o dinheiro deveria custear a operação dos ônibus na capital. No entanto, o empresário o utilizou para pagar faturas de cartão de crédito e aluguéis em seu nome.

Suposto desvio de verbas no Grupo Rei de França teria beneficiado mineradora durante crise no transporte
Transações comprovam as transferências bancárias (foto: reprodução)

 

 

 


A manobra ocorre no momento em que o grupo Rei de França atravessa um processo de recuperação judicial, com dívidas acumuladas em R$ 177 milhões. O redirecionamento de verbas chamou a atenção de credores, uma vez que as contas das empresas de ônibus sofrem constantes bloqueios judiciais para garantir o pagamento de direitos trabalhistas e fornecedores. A prática pode configurar blindagem patrimonial, estratégia utilizada para ocultar bens e evitar penhoras.

Suposto desvio de verbas no Grupo Rei de França teria beneficiado mineradora durante crise no transporte
Transações comprovam as transferências bancárias (foto: reprodução)

Atualmente, Pedro Paulo ocupa o cargo de vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), entidade responsável por gerenciar e repassar a receita dos bilhetes de transporte público. A Expresso Rei de França, embora gerida pelo executivo, está registrada em nome de sua filha, a fotógrafa Deborah Piorski Ferreira. Outra empresa de serviços de limpeza, também sob o nome Goldcoltan, aparece vinculada à família.

Advogada admite manobra

Questionada sobre as transferências para a mineradora em detrimento dos compromissos com os rodoviários, a própria defesa do Grupo Expresso Rei de França admitiu a realização da manobra. 

“As empresas em recuperação judicial vinham sofrendo bloqueios e constrições recorrentes em suas contas. Diante desse cenário, foi adotada uma sistemática operacional de centralização financeira, com repasses ao final do dia para conta vinculada à Goldcoltan, a partir da qual eram realizados pagamentos de despesas operacionais essenciais do grupo”, afirmou Evelline Freitas

O caso agora gera pressão sobre os órgãos de fiscalização e o poder público, diante do risco de colapso no atendimento aos usuários do transporte coletivo e do aprofundamento da crise trabalhista no setor.

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