A semana começou com transtornos para os usuários do transporte público em São Luís. Na manhã desta segunda-feira (26), os motoristas da empresa Expresso Rei de França (antiga 1001) decidiram paralisar totalmente as atividades. O movimento é um desdobramento da crise iniciada na última sexta-feira (23), motivada pelo atraso no pagamento de salários e do décimo terceiro.
Uma parte reduzida da frota saiu da garagem nas primeiras horas do dia, mas a empresa interrompeu a circulação pouco tempo depois. Os veículos retornaram à empresa, deixando passageiros desassistidos em diversos pontos da capital maranhense.
Impasse e insegurança
Segundo os trabalhadores que permanecem em frente à garagem, a circulação inicial foi realizada apenas por motoristas que já tiveram seus valores quitados. Os demais profissionais aguardam uma resposta oficial sobre o pagamento do salário de janeiro e da gratificação natalina. A categoria relata que os atrasos recorrentes nos repasses geram um clima de instabilidade financeira e insegurança entre as famílias dos rodoviários.
Divergências
Diferente de outras mobilizações da categoria, esta paralisação não conta com a assinatura oficial da entidade representativa. Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Rodoviários (STTREMA), afirmou no último sábado (24) que a decisão partiu diretamente dos funcionários, em um movimento espontâneo de insatisfação, e não de uma convocação sindical.
O outro lado
As versões sobre as causas do atraso financeiro divergem entre os órgãos gestores e o sindicato patronal:
- MOB: A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos afirma que o subsídio estadual está rigorosamente em dia. A agência reforça que a responsabilidade direta pelos salários é da empresa operadora, conforme os contratos de concessão.
- SET: O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros alega que o Município de São Luís descumpriu acordos judiciais ao atrasar o pagamento de subsídios (que deveriam ocorrer no 4º dia útil) e aplicar descontos indevidos nos valores. O SET classificou o movimento como “ilegal e abusivo” por não ter sido comunicado oficialmente com antecedência.
A paralisação segue por tempo indeterminado, impactando diretamente a mobilidade urbana de milhares de ludovicenses.
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